PORQUÊ IR À IGREJA (RESPOSTA A UM AMIGO)

Caro Ivan,

Peço desculpas pela franqueza e discordância, mas como alguém que por décadas esteve envolvido e devotamente comprometido com movimentos religiosos cristãos, dispendendo muito de meu tempo e dinheiro naquela causa, podendo dizer, portanto, que tenho vivência e experiência prática bastante para me manifestar quanto à questão, tenho a expor o seguinte:

Pode-se perceber, como experiência comum a outras pessoas que passaram por isso tudo que eu passei, que, quando se está lá dentro, envolvido, não conseguimos enxergar, como que cegados por encantamento, o que ocorre, de forma imparcial, mas sempre favorecendo e acreditando nos líderes, na doutrina e na instituição.

O convívio com “os da mesma fé” e a participação em cultos, reuniões e atividades da igreja é fortemente frizado como importante e vital para se “manter a chama acesa” (“a brasa fora do braseiro esfria e se apaga!”).

Mas, somente quando conseguimos sair e olhamos de fora, sob outro ângulo, é que conseguimos verdadeiramente enxergar e entender tudo de forma bem clara.

Após me desvincular do cristianismo (o que eu mesmo antigamente chamaria de “apostasia”), pude enxergar tudo aquilo de forma extremamente límpida e clara: os deuses sempre foram criados pelo homem, à sua própria imagem e semelhança, segundo seus anseios, desejos, necessidades, temores e ignorância, sendo que divindades, messias, diabo, demônios, céu, inferno, purgatório, anjos, pecado, paraíso perdido, arvore da vida e do conhecimento do bem e do mal, homem feito do barro e mulher feita de uma costela, livro da vida, vida eterna, cidade de ouro, trono de cristal, serpentes e mulas que falam, virgens que engravidam de divindades, bestas, anticristos, etc, não passam de pura mitologia e fantasia, lado a lado com fadas, duendes, ciclopes, centauros, semideuses e personagens como Minotauro, Cérbero, Caronte, Medusa, Hércules, Zeus, Hades, Poseidon, etc, cridos, igualmente, como reais por povos antigos.

As religiões insistentemente tentam e quase sempre conseguem convencer-nos da existência de um super ser, criador, invisível, eterno, que tem poder absoluto, que tudo sabe e tudo conhece, que pode estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo, o “único deus verdadeiro”, que nos vigia, que, apesar de toda a sua grandeza e superioridade, se importa com coisas ínfimas, impondo restrições sobre o que comemos, bebemos, fazemos ou deixamos de fazer, sobre nossas vidas sexuais, que teria um plano traçado para as nossas vidas, que oferece proteção e que, como um pai, nos ama e quer somente o nosso bem, o que, de fato, sendo sinceros, nem sempre vemos acontecer, na prática.

Quantos cristãos não adoecem, sofrem, morrem e perdem entes queridos por doenças ou em acidentes e tragédias.

Por outro lado, quantos que não compartilham da mesma fé, saem ilesos e, incrivelmente, sobrevivem àquelas mesmas ocorrências.

EstatIsticamente, nada se prova que alguma daquelas duas classes, crentes e não crentes, seja mais privilegiada do que a outra.

E, quer se morra ou sobreviva, a explicação simplista e bastante cômoda (que a meu ver não explica absolutamente nada, mas só vem a provar a falsidade e ilusão que é a tão aclamada “proteção divina”), invariavelmente é: “foi a vontade de deus”!

Aliás, qual o sentido de se orar e pedir algo a deus se, em última instância, é sempre a vontade dele que será feita? (1 João 5:14: “E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”).

Se deu sorte de o que é pedido bater com a vontade dele, “a oração foi atendida”. Se não, não!

Ou seja, pedindo ou não pedindo, não daria tudo na mesma?

Que grande lógica! Tão óbvio, mas ninguém (me coloco junto, falando eu no passado), graças à “cegueira da fé”, percebe isso!

Todas as religiões, indiscriminadamente, trabalhando em cima de nossa natural insegurança, medos, ansiedades, dúvidas e desejos de plena saúde e felicidade, têm o poder de manipular e condicionar nossos cérebros, oferecendo as respostas, que todos gostaríamos de ter, sobre o sentido da vida e a suposta razão de nossa existência neste mundo, sempre apoiada sobre “fatos” infundados, improváveis, sobrenaturais e até fantasiosos e sobre “inspirados” escritos antigos, caducos, contraditórios, comprovadamente adulterados ao longo dos tempos e em nada científicos, ou seja, sobre absolutamente nada sólido, mas unicamente sobre a “fé”, baseada no subjetivismo e no emocional, cujo apelo maior é: “crer, sem nada duvidar, sem questionar, fechando sempre os olhos e ouvidos a quaisquer evidências que se mostrem contrárias”.

A fé, tida, então, como “virtude” – o que eu, ao contrário, classificaria como “ingenuidade” -, sujeitaria o indivíduo que chegou a esse estado de “vaquinha de presépio”, a todo o tipo de manipulação e exploração pelos líderes e pela instituição, defendendo-os, apoiando-os, sustentando-os e enriquecendo-os.

O que vemos mais, hoje, na TV, senão uma enxurrada de programas das mais variadas igrejas, verdadeiras “empresas da fé”, todas prometendo mundos e fundos, com claro intuito maior de aliciar e fidelizar novos contribuíntes e sustentadores, os “consumidores de seus produtos”, sob o pretexto de grande interesse em ajudá-los e favorecê-los?

Quem já não viu isso? Só que, não olhando para nossos próprios umbigos, sempre achamos que isso é com a religião dos outros!

Nenhum ser humano já nasce católico, espírita, testemunha de Jeová, evangélico, judeu, hindu, budista ou o que for. Todos nascemos arreligiosos. Ou seja, as crenças religiosas, é claro, não estão na carga genética, mas são implantadas em nossas mentes!

Notoriamente, a doutrinação religiosa, entendida como verdadeira, necessária e boa pelos pais, é imposta por estes às crianças, que, como seres frágeis que são e estando numa fase de aprendizado, aquisição de conhecimento e formação, pela confiança natural depositada neles, avidamente absorvem tudo aquilo, que certamente terá influência pelo resto de suas vidas, de forma que, em termos de crença, elas sempre tendem a ser aquilo que os pais querem que elas sejam, visto não ser-lhes dada a chance de, ao chegar à idade da razão, só então, fazerem as suas opções.

Eu creio e defendo, hoje, que deveríamos ensinar aos nossos filhos ética e moral, suficientes a serem eles pessoas de bom caráter, ao invés de religião (a qual, aliás, não garante o bom caráter de ninguém), deixando a eles, sem influências, decidirem depois suas crenças ou, mesmo, descrenças.

Quantos terrores psicológicos passei eu na infância por medo do diabo e do inferno, figuras que hoje sei serem apenas meras mitologias herdadas do próprio tão odiado “paganismo”!

É um crime os pais ensinarem e até ameaçarem as crianças com essas crenças de povos bárbaros e ignorantes, usando-as como terrorismo!

Fiel ou infiel. Das duas, uma. Não há meio termo!

O cristianismo nos ensina que há somente um deus verdadeiro, uma igreja verdadeira, uma fé verdadeira, um livro de revelações verdadeiro, a bíblia, “a palavra de deus”, sendo os que se enquadram nesse grupo os verdadeiros “fiéis”, os bem-aventurados que alcançarão a vida eterna, em detrimento de todos os demais, os “infiéis”, que, sem saber ou mesmo imaginar, foram enganados e estão perdendo seus tempos e jogando suas vidas fora por nada, para serem, ao fim, condenados.

Porquê nunca admitimos, ou sequer pensamos, na possibilidade de ser bem ao contrário e, na realidade, nós estarmos fazendo parte é daquele segundo grupo, tornando-se tudo uma questão de sorte ou azar numa boa ou má escolha nossa ou daqueles que escolheram por nós, nos influenciando e nos incutindo as suas “verdades”?

Em resumo:

Religião é uma lavagem cerebral sutil e velada!

Exalta o emocionalismo, a fé cega e a crença no infundado, no abstrato, no subjetivo e no improvável, em detrimento do bom senso, da lógica e da razão!

E ir à igreja, a meu ver, nada mais faz além de refrescar continuamente a lavagem cerebral outrora em nós processada.

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DEUS E O DIABO: A MESMA PESSOA? AS DUAS FACES DA MESMA MOEDA?

Em muitas culturas antigas, podemos claramente ver o conceito da dualidade entre o bem e o mal, entre “as trevas e a luz”, por vezes personificados na figura de deuses oponentes, criados pelo imaginário humano, os quais viveriam numa eterna batalha, sem, porém, nunca conseguirem se destruir, num verdadeiro infindável espetáculo de teatro.

Já, em outras culturas e vertentes, bem e mal, embora opostos, viriam de uma mesma fonte, se complementando e coexistindo de forma positiva e necessária, devendo nós, humanos mortais, encontrarmos o meio termo, o equilíbrio entre eles como sendo o ideal para as nossas vidas.

Na tradição judaico-cristã, dualista, o deus Jeová seria, em teoria, a personificação de toda a bondade, amor, verdade e virtude, enquanto que, opostamente, Satanás, também tratado por Diabo e Lúcifer, personificaria a maldade, o ódio, a falsidade, o engodo e a desonradez.

Ao pesquisarmos em um dicionário, verificamos a seguinte definição da palavra bondade: “Disposição natural que nos leva a fazer bem e nunca mal; qualidade de quem é bom”. Acrescentaria eu, ainda, que, se tiver essa pessoa (boa) poder para repelir ou conter o mal, assim deveria, pela lógica, fazê-lo. A omissão, claramente, nesse caso, em hipótese alguma, poderia ser considerada um ato de bondade ou uma virtude.

O paradoxo do deus judaico-cristão

A Bíblia, considerada o livro sagrado dos cristãos e dos judeus (nesse segundo caso, apenas o Velho Testamento), em princípio, reclamaria para o seu deus Jeová somente atributos virtuosos, tais como: bondade, benignidade, justiça, equidade, imparcialidade, sensatez, imutabilidade, tolerância, condescendência, moralidade, etc.

Entretanto, paradoxalmente, em diversas passagens daquele livro sagrado, podemos claramente ver atitudes daquele mesmo deus em notório conflito com as virtuosidades pretendidas, destacadas logo acima, fazendo o papel de verdadeiro vilão tirano, sanguinário, intolerante, sádico, vingativo, hipócrita, contraditório e injusto, como cito:

1) No relato bíblico do êxodo de Israel, lemos que Jeová, a princípio, parecia querer unicamente a libertação do povo judeu do jugo egípcio, algo justo e nobre, o que revela-se depois, em verdade, falso quando ele diz que “endureceria o coração de faraó” para que não os libertasse, a fim de demonstrar seu poder (leia-se: “arrasar o país”): “Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas.” (Êxodo 7:3);

2) No livro de Juízes (9:23), “Deus suscitou um espírito mau entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém; e estes procederam aleivosamente para com Abimeleque”;

3) Em 1 Samuel 16:14, lemos: “Ora, o Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e o atormentava um espírito maligno da parte do Senhor”;

4) Em Isaías 45:7, Jeová afirma: “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas”;

5) Em Jeremias 18:11 está escrito: “Ora pois, fala agora aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o senhor: Eis que estou forjando mal contra vós, e projeto um plano contra vós; convertei-vos pois agora cada um do seu mau caminho, e emendai os vossos caminhos e as vossas ações”;

6)  Em Josué 7:24-26, está registrada a morte de todos os inocentes filhos de Acã, além de todos os seus animais, que foram apedrejados e queimados, por causa de sua desobediência (“pecado”), numa descarada contradição com a palavra do mesmo deus “imutável” de que cada um morrerá pela sua própria iniquidade (Jeremias 31:29) e A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho, A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele (Ezequiel 18:20), noutra claríssima demonstração de injustiça divina. Além do que, os dois textos citados, de Jeremias e Ezequiel, revelam a incoerência existente na doutrina do “pecado original”, onde o erro de um, Adão, teria feito com que todos “pecassem” e fossem, por isso, punidos e destinados ao sofrimento no inferno.

7) Em Levítico 20:10, o mesmo deus que não faz acepção de pessoas, diz: “O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera. No entanto, Davi adulterou com Bate-Seba, e, como agravante, premeditadamente ainda mandou que seu marido fosse colocado na frente de batalha para que fosse morto, de maneira a se livrar dele para poder ficar com ela. Porém, apesar do mandamento, nenhuma punição ele ou ela sofreram por isso, tendo a “justiça divina” recaído sobre a inocente criança nascida da relação pecaminosa.

8) 2 Reis 2:23,24: “Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.“ Nesse episódio, Eliseu se sente grandemente ofendido por ter sido chamado de careca por algumas crianças e amaldiçoa-as “em nome do Senhor” e, “justificadamente”, dada à gravidade do ocorrido pois foi “terrivelmente humilhado”, duas ursas saem do bosque e despedaçam 42 daquelas crianças.

9) Em 2 Samuel 24:1: “A ira do Senhor tornou a acender-se contra Israel, e o Senhor incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá.”;

10) Apesar de, como visto acima, ter sido ele mesmo, Jeová, quem mandou Davi levantar o senso, este resolve castigar todo o povo por isso, como se Davi tivesse feito algo errado: “Mandou, pois, o Senhor a peste a Israel; e caíram de Israel setenta mil homens.” (1 Crônicas 21:14). Percebe-se claramente que ele mesmo, deus, provoca uma determinada situação para depois poder usar como desculpa para punir!

OBS: Os textos de 2 Samuel 24:1 e 1 Crônicas 21:1, acima citados, são paralelos, registrando ambos o mesmo episódio. Porém, em 2 Samuel, quem teria incitado Davi a levantar o senso seria “o Senhor”, mas em 1 Crônicas, teria sido “Satanás”, dando margem a se entender que tanto o mal quanto o bem, como apoiado pelos textos anteriormente citados, procedem do mesmo deus, tendo sido a figura de “Satanás” criada para ser o seu instrumento de malignidade.

“Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. É capaz, mas não deseja? Então é malevolente. É capaz e deseja? Então por que o mal existe? Não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus?” (Epicuro).

“Se existisse um Deus bondoso e todo-poderoso, teria feito exclusivamente o bem” ( Mark Twain).

“Sempre que a moralidade baseia-se na teologia, sempre que o correto torna-se dependente da autoridade divina, as coisas mais imorais, injustas e infames podem ser justificadas e estabelecidas.” (Ludwig Feuerbach)

O mítico personagem Satanás / Lúcifer / Diabo:

Esse personagem é encontrado no Velho Testamento apenas nos livros de 1 Crônicas, já citado acima, Jó e Zacarias.

1 Crônicas e Zacarias nada nos revelam sobre a natureza de sua pessoa, sendo mostrado apenas como alguém que incitou Davi a levantar o senso do povo, no primeiro, e alguém que se opôs ao sumo sacerdote Josué, no segundo.

No livro de Jó, este é apresentado meramente como um dos “filhos de deus”, possivelmente um “anjo”, o qual foi usado por deus como instrumento para provar a fé” do pobre Jó (leia-se: arrasar com sua vida!), restituindo-lhe, num “final feliz” (se é que alguém poderia concordar com isso), tudo novamente.

O conceito do personagem Satanás como sendo “o tentador”, “o sedutor”, o “poderoso arqui-inimigo de deus” e o “inimigo das almas dos homens”, como crido nos dias de hoje pelos cristãos, foi forjado fora do contexto do Velho Testamento, à semelhança dos conceitos de vida eterna e do inferno, também inexistentes naquele compêndio, certamente pela influência de idéias e mitologias herdadas de outros igualmente supersticiosos povos antigos.

Conclusão: À vista dos muito claros e exemplificativos textos bíblicos expostos acima, podemos ver que, paradoxalmente, tanto bem quanto mal, indiferentemente, procedem da mesma pessoa, o deus bíblico Jeová, o qual, pelo óbvio motivo de ter sido criado por homens, os líderes judaicos, é ali retratado com qualidades e paixões puramente humanas, sendo tirano, sanguinário, intolerante, sádico, feroz, ciumento, vingativo, misógino, homofóbico, hipócrita, contraditório e injusto. O personagem Satanás não passa de seu alter ego, aquele que realiza seus “serviços sujos”.

“O homem criou deus à sua imagem: intolerante, sexista, homofóbico e violento.” (Marie de France)

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A BÍBLIA: A PALAVRA DE DEUS! SERÁ?

Sempre com o mesmo intuito de busca da pura verdade e não de meramente polemizar, resolvi não mais discorrer, como mutos fazem e por várias vezes o fiz, sobre textos que provariam ou desprovariam isso ou aquilo, pois todos nós sabemos muito bem que, “biblicamente falando”, podemos ter as mais diversas interpretações deles para defender as mais variadas doutrinas, haja vista, como prova disso, a enorme variedade de igrejas existentes, com os mais diferentes pontos de vista com respeito aos mais diversos assuntos, todas elas autoconsideradas cristãs, todas elas ancoradas no mesmo usual dogma de ser a Bíblia “a palavra de Deus” e todas elas considerando-se, ainda que implicitamente, a que detém a “sã doutrina”.

A discussão desses diversos pontos de vista e interpretações invariavelmente, na prática, nunca convence os opositores, ficando, ao final, tudo da mesma forma como já estava no início, apenas gerando conflitos, animosidades e mágoas entre as pessoas envolvidas, ainda que bem intencionadas.

Acrescente-se a isso, ainda, o fato de que nada impede que, mesmo havendo duas ou mais opiniões diferentes, com argumentos convincentes das partes a seus favores sobre um dado tema, haja a possibilidade de todas estarem equivocadas.

Tudo feito nessa linha, a meu ver, é apenas mero paleativo para a tentativa de solução de um problema oculto, real e maior, cuja raiz está justamente no falso dogma cristão, criado em algum momento da história, de ser a Bíblia considerada como “a infalível palavra de Deus” e como “regra de fé e prática”

Esse compêndio de livros que chegou até nós, chamado “Bíblia” é, em fato, uma verdadeira colcha de retalhos, cujos autores, em sua maioria, são desconhecidos ou incertos, que ali expressaram suas crenças pessoais, imbuídas de conceitos, preconceitos, superstições e escassos conhecimentos científicos, comuns às pessoas das atrasadas sociedades de suas épocas.

Parêntese: eis a razão, como exemplo, da ali explícitamente externada inferioridade das mulheres, consideradas meros objetos sexuais e de reprodução, prêmios de guerra, dominadas pelos homens, cujo “desejo seria para o seu marido” e nunca contadas nos censos, pensamento esse que, para nossa surpresa, permeia até mesmo as páginas do Novo Testamento, mormente nos escritos de Paulo, declaradamente preconceituoso, misógino e homofóbico (1 Coríntios 11:8; 1 Coríntios 14:34,35; 1 Timóteo 2:12-15  e Efésios 5:23).

Os livros que a compõe foram escolhidos entre muitos, de forma aleatória, e, comprovadamente, aditados, editados, adulterados e mutilados de forma desonesta no decorrer dos séculos, tudo para favorecimento e atender a interesses particulares, além das reconhecidas dificuldades e falhas em sua tradução, de forma que, o que lemos hoje, muito provavelmente não mais espelhe o seu conteúdo original, fato que coloca em cheque a sua fidelidade e credibilidade (Ex: Mateus 17:21, 18:11, 19:9, 23:14, , Marcos 7:16, 11:26, 15:28, 16:9-20, Lucas 9:54-56, 17:36, 23:17, João 7:53 a 8:11, Atos 8:37, 15:34, 28:29, etc).

Parêntese: Os únicos testemunhos registrados em favor da procedência divina do escrito em seus livros vêm da própria Bíblia, algo totalmente anti-ético. Já bem disse o próprio Jesus: “Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro.” (João 8:35).

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Como agravo, nela vemos (isso para quem quer, de fato, ver), ainda, inúmeros e em nada louváveis exemplos de imoralidade, intolerância, sadismo, misoginia, homofobia, preconceitos e injustiças, como crianças sendo mortas por que seus pais “pecaram” (os filhos de Acã), ou por serem desobededientes aos pais, ou estraçalhadas por ursas por terem cometido a “terrível” ofensa de chamarem um profeta de “careca”, ou as 70.000 pessoas mortas pela peste enviada por Deus como castigo unicamente por ter Davi resolvido levantar o censo do povo, etc, etc, etc.

Ademais, ela está, visivelmente, de capa a capa, recheada de erros, barbaridades científicas, contradições e incongruências, os quais os “harmonistas”, sem nunca quererem admití-los, tentam contornar a qualquer custo para sustentar seus dogmas e crenças, com manobras e explicações mirabolantes e desonestas, dos quais, para comprovação, cito alguns principais, como exemplo:

– Em 1 Coríntios 15:5, com relação à ressurreição de Jesus, Paulo diz: “que apareceu a Cefas, e depois aos DOZE”. Só que, com a morte de Judas e antes da eleição de Matias, restaram apenas ONZE apóstolos! Um erro humano de Paulo? Ou, quem sabe, Paulo desconhecesse a história do suicídio de Judas?

– Em Atos 7:2 lê-se: “Estêvão respondeu: Irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando ele na Mesopotâmia, ANTES de habitar em Harã …”. Porém, o livro de Gênesis (11:31 a 12:1) relata o acontecido DEPOIS de ele habitar em Harã!

– Em Atos 7:14, Estevão diz que a parentela de José que desceu ao Egito era de 75 ALMAS. Mas em Gênesis 46:27 lemos que foram 70!

– Em 2 Samuel 24:1, quem incitou Davi a levantar o senso foi DEUS. Mas, no texto paralelo de 1 Crônicas 21:1, foi SATANÁS!

– Em 2 Samuel 24:13, um dos castigos a escolher, seriam 7 ANOS de fome. Mas, no texto paralelo de 1 Crônicas 21:12, são 3 ANOS!

– Em  1 Samuel 16:10,11, Jessé tinha 8 FILHOS. Já em 1 Crônicas 2:13-15, tinha 7 FILHOS!

– Em 1 Samuel 31:4, Saul SE SUICIDA, lançando-se sobre sua espada. Em 2 Samuel 1:10, Saul É MORTO por um amalequita!

– Em Gênesis 10:5, cada povo já TINHA A SUA PRÓPRIA LÍNGUA. Mas, depois, em Gênesis 11:1, TODOS FALAVAM A MESMA LÍNGUA!

– Em  Mateus 17:1, Jesus, Pedro, Tiago e João subiram ao monte 6 DIAS DEPOIS de ele falar sobre “cada um levar sua cruz”. Já em Lucas 9:28, isto aconteceu cerca de 8 DIAS DEPOIS!

– Em Mateus 20:20,21 A MÃE de Tiago e João faz um pedido a Jesus. Mas em Marcos 10:35-37, quem faz o pedido são OS PRÓPRIOS FILHOS!

– Em João 19:17, foi JESUS quem carregou sua própria cruz. Já em Mateus 27:32, NÃO FOI JESUS, MAS SIMÃO, O CIRENEU!

– Em Marcos 5 é relatado o conhecido episódio do endemoninhado geraseno (de GERASA), mas o texto paralelo de Mateus 8, situa o acontecido em outra cidade, de nome GADARA, e o número de endemoninhados, nesse segundo caso, seriam DOIS. Mas a questão maior é: como poderia a manada de porcos em que entraram os demônios se precipitarem no mar, sabendo-se que NENHUMA DAS DUAS CIDADES ERAM COSTEIRAS OU MESMO PRÓXIMAS DO MAR?

– Em Romanos 3:28, Paulo afirma que “o homem é justificado PELA FÉ sem as obras da lei”. Mas em Tiago 2:24, “o homem é justificado PELAS OBRAS, e não somente pela fé”! E o pior: ambos usam o mesmo exemplo, de Abraão, para justificarem seus pontos!

– Em Mateus 27:44, AMBOS os salteadores crucificados com Jesus zombavam dele. Já em Lucas 23:39, APENAS UM DELES!

– Em João 5:31, Jesus disse que se ele dá testemunho de si mesmo, O SEU TESTEMUNHO NÃO É VERDADEIRO; já, em João 8:14, contrariando o versículo anterior, O  SEU TESTEMUNHO É VERDADEIRO!

– Em Levítico 11, a lebre é tida como ruminante, o morcego como uma ave e menciona-se insetos alados com 4 pés!

A contradição da Idade de Abraão:

– “E viveu Terá setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor, e a Harã.”  Gênesis 11:26

– “E foram os dias de Terá duzentos e cinco anos, e morreu Terá em Harã.”  Gênesis 11:32

– “Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã.”  Gênesis 12:4

– “Então saiu da terra dos caldeus, e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora.”  Atos 7:4

Ora, se Terá morreu com 205 anos e Abraão nasceu quando ele tinha  70 anos , então Abraão já tinha 135 ANOS quando seu pai morreu e partiu de Harã, o que contradiz Gênesis 12:4 (75 ANOS!).

Estas discrepâncias – entre outras tantas -, notórias e incontestáveis para os que as analisam de forma imparcial e honesta, revelam o quão fraco e insustentável é este dogma, o qual só consegue manter-se através de recursos desonestos de harmonização pelos intérpretes e a sua aceitação passiva e sem contestação pelos leigos, e faz com que a tão crida “infalível palavra de Deus” desça ao decepcionante e vil nível de “falível palavra de homens”.

Outro porém, de grande relevância, é que a Bíblia mostra-se completamente ineficiente no quesito de manter padronização nas igrejas.

Como poderia uma mega instituição, qualquer que seja ela, sobreviver sem padronização?

Como poderia um suposto deus perfeito, cuja mensagem à sua igreja deveria, pela lógica, ser perfeita, e cuja “noiva” deveria ser uma só, deixar uma decepcionante mensagem dessas, que gera inúmeras interpretações e causa divisões e até competição para ver quem tem o entendimento melhor e consegue arrebanhar mais “fiéis”?

Parece-me que hoje temos mais igrejas espalhadas pelas cidades, do que bares! E parecem ainda achar que isso é coisa positiva para a “disseminação da palavra”.

Para fins de exemplificação, por pertinente, gostaria de mencionar que trabalhei por muitos anos em uma instituição bancária com milhares de agências e dezenas de milhares de funcionários, onde tínhamos nossos livros de instruções, editados por nossa central (cada agência possuía seus exemplares), um para cada procedimento: abertura de contas, empréstimos, tesouraria, etc, tudo, evidentemente, para fins de “padronização”.

E a coisa funcionava perfeitamente! Não havia margem a interpretações diversas. Não havia uma agência fazendo de uma forma e outra de um jeito diferente, pois todas baseavam seus procedimentos no mesmo livro de instruções.

Tudo era “humano” (imperfeito), mas, na prática, tudo funcionava perfeitamente!

Como pode, pergunto eu comparando, algo de iniciativa de uma divindade supostamente “perfeita” funcionar tão mal?

Como já bem disse Carl Sagan: “Se deus quisesse nos enviar uma mensagem, e escritos antigos eram a única maneira que ele poderia pensar em fazer isso, ele poderia ter feito um trabalho melhor”.

Instituição Bancária: 10  X  deus: 0 !

Prova-se, portanto, que a Bíblia é, indiscutivelmente, palavra falível, imperfeita e de homens!

E, uma vez desfeito esse mito, admitindo-se haver erros e falhas onde nunca poderia haver e, dessa forma, lançando dúvidas sobre a veracidade das histórias e relatos bíblicos e sobre a honestidade e imparcialidade dos autores, considerando-se, assim, a Bíblia meramente um livro de folclores, mitologias e, talvez, autoajuda, rui e cai por terra o alicerce e, com ele, todo o sistema do cristianismo – fato que ocorreu comigo já há alguns anos, após quase três décadas de bitolada, porém sincera e dedicada vida cristã (“Neo saindo de Matrix”) –, ao mesmo tempo em que nos é tirado o véu e revelado o verdadeiro caráter do tirano, sanguinário, intolerante, sádico, feroz, ciumento, vingativo, misógino, homofóbico, hipócrita e injusto deus veterotestamentário, criado pelos líderes judeus à mais pura “imagem e semelhança do homem” para exercer domínio e controle sobre o povo.

Isso posto, constata-se ser insano e vão perder-se tempo com estudos e discussões sobre os chamados “temas polêmicos” como “parousia”, acontecimentos escatológicos, milênio, salvação de Israel, galardões, literalidade da criação, dilúvio universal, pecado original, batismo, vida eterna, céu e inferno, todos eles frutos de puras e subjetivas divagações e especulações humanas, muitos deles herdados de mitologias de outros povos antigos, sem qualquer veracidade que possa ser comprovada, desviando o foco, como se tem feito, do verdadeiro, crucial e único importante problema: o falso dogma que sustenta toda a estrutura do cristianismo.

Tudo isso, tão claro e transparente para mim, agora, ficava outrora oculto, nebuloso e intocável atrás de meus temores, do meu “respeito para com as coisas sagradas”, de meus mais profundos anseios e ilusória esperança de existência eterna, de uma vida de perfeita felicidade e saúde, livre da morte, num utópico “paraíso de tolos”, a tão sonhada e desejada utópica “Shangri-lá”.

Finalizo, citando, por oportuno, frase do filósofo Bertrand Russell, cujo pensamento, por experiência própria, endosso:

“As pessoas dirão que, sem os consolos da religião, elas seriam intoleravelmente infelizes. Tanto quanto este argumento é verdadeiro, também é covarde. Ninguém senão um covarde escolheria conscientemente viver no paraíso dos tolos. Quando um homem suspeita da infidelidade de sua esposa, não lhe dizem que é melhor fechar os olhos à evidência. Não consigo ver a razão pela qual ignorar as evidências deveria ser desprezível em um caso e admirável no outro.”

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FRASES IDIOTAS DE PASTORES IDIOTAS

Silas Malafaia:

“Nenhuma verdade científica da bíblia foi até hoje derrubada” (em entrevista com Marília Gabriela)

(“Quando Silas Malafaia disse que “Nenhuma verdade científica da bíblia foi até hoje derrubada”, muitas pessoas o aplaudiram e concordaram com ele, mesmo sem saber quais são as “verdades científicas” da bíblia. Estas pessoas, mesmo sem saber, concordaram que o morcego é uma ave, que o coelho e a lebre são ruminantes, que Sol gira em órbita da Terra, que o firmamento é sólido, que as árvores já existiam antes do Sol, que a espécie humana tem a mesma idade da Terra e que existem serpentes e jumentas falantes. Verdadeiras estas “verdades” não é?” – http://thegodlessman.blogspot.com.br/2013/02/o-pastor-e-suas-ovelhas.html)

“Quem não der oferta não vai ser abençoado.”

(Descarada forma de coação, claramente para aumentar a arrecadação, aliada ao errado conceito de barganha com deus.)

“Eu amo os homossexuais como eu amo os bandidos.” (em entrevista com Marília Gabriela)

(Pura mentira deslavada e dissimulação! É notório o seu ódio e homofobia – comum à grande maioria dos pastores e cristãos em geral -, como que com um olhar nostálgico para o Velho Testamento, onde homossexuais eram mortos apedrejados!)

“Vou ferrar esse caras.” (sobre artigo da revista Forbes, em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo.)

(Onde fica o “dar a outra face”?)

“Evangélicos devem dominar política, mídia e redes sociais para influenciar o Brasil”

(Evidente desejo de transformar o Brasil em uma Teocracia, num total desrespeito à Constituição Federal, que assegura a laicidade do Estado. Ver os posts:

https://irineucostajunior.wordpress.com/2013/11/03/11/ e

https://irineucostajunior.wordpress.com/2013/11/05/o-cristao-e-a-politica/)

“O Estado é laico, mas o povo não é ateu.” (no programa “A Moral”)

(Total desconhecimento e ignorância do conceito de “Estado Laico”, que nada tem a ver com ateísmo. Ver o post: https://irineucostajunior.wordpress.com/2013/11/03/11)

“Fico vendo caras que nem tiraram a fralda, que chegaram agora no Evangelho… julgando pastor… ‘Quem é esse cara?’ Ilustríssimos desconhecidos recalcados. Com dor de cotovelo do sucesso dos outros. Uma meia dúzia de idiotas, imbecis, travestidos de crente – porque essa gente não é crente. Quem calunia pastor e fala da Igreja não pode ser crente. Vou dar um conselho pra você: fica longe de participar de divisão, de calúnia, de difamação de pastor. Fica longe disso. Quer arrumar problema pra tua vida? Entra nisso. Quem é que toca no ungido do Senhor e fica impune? Ungido do Senhor é problema do Senhor, não teu. Teu pastor é ladrão? É pilantra? Você não está gostando? Sai de lá e vai pra outra igreja. Não se mete nisso não, porque não é da tua conta. Cai fora. Vai embora […] Só não arruma problema. Não toca em ungido… Rapaz, aprenda isso: eu já vi gente morrer por causa disso, meu irmão”

(A lógica infeliz dele: quem denuncia, morre vítima da ira divina e pastor pilantra e “ungido” continua vivo!

Primeiro: o Velho Testamento já caducou e a “Teologia da Prosperidade” assim como o enriquecimento de pastores – e cristãos, em geral – não tem qualquer suporte no contexto do Novo Testamento;

Segundo: Conforme ensinamento da própria igreja, a “omissão” também é pecado!;

Terceiro: A prática do “dízimo” remonta à época e estrutura social do povo judeu, em benefício dos “Levitas“ e clara e unicamente pertence ao Velho Testamento, caducado, não tendo, igualmente, suporte no contexto do Novo Testamento!;

Quarto: a forma agressiva, insistente, impositiva, coativa, intimidadora, constrangedora, ambiciosa e primordial de se obter dinheiro é abusiva, imoral, anti-ética e criminosa, um desvio de foco e um desvirtuamento do objetivo primário da existência da igreja!; e

Quinto: Os valores absurdos acumulados por pastores e também pagos às emissoras de TV com o evidente intuito maior de conseguir mais adeptos e assim aumentar a arrecadação, inclusive com o uso de propaganda enganosa (prosperidade, carros, casas, curas, etc), poderiam ser muito melhor aplicados em obras sociais, caridade, alívio de sofrimento e suprimento de necessidades de muitas pessoas.)

“A bíblia diz que Pastor deve ganhar bem, muito bem!” (em entrevista com Marília Gabriela)

 Uma resposta minha a Silas Malafaia:

Já há tempos não sou mais cristão, incentivado, inclusive, entre muitas outras coisas que vi, ouvi e analisei, por pessoas de sua laia, pastor.

Engraçado, pastor!

Não sei qual a bíblia que você usa, ou se você, como outros tantos de entendimento estribado, defensores da “teologia da prosperidade”, cujo interesse maior, a meu ver, na verdade, é o de explorar a ignorância e a boa fé das pessoas, se baseia em textos caducos do antigo testamento, mas, na minha bíblia, no novo testamento, estava escrito justamente o contrário:

Palavras de Jesus:

Mateus 10:8 “Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.”

Mateus 8:20 “Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.”

Mateus 6:24 “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.”

Mateus 6:19,20 “Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.”

Mateus 19:21-24 “Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.”

Antes de continuar, pergunto-lhe: um patrimônio de “apenas” R$ 4,5 milhões (se é que é de fato somente isso), não fazem de você um homem rico e milionário?

Palavras de Paulo:

Romanos 12:16 “sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas mas acomodai-vos às humildes

2 Coríntios 11:9 “e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado; porque os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei, e ainda me guardarei, de vos ser pesado.”

1 Tessalonicenses 2:9 “Porque vos lembrais, irmãos, do nosso labor e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus.”

Novamente, pergunto: em algum lugar dos evangelhos há defesa em favor do enriquecimento ou da prosperidade material de qualquer pessoa que sirva a deus?

Examinando a vida dos apóstolos e discípulos após a assunção de Jesus, o que vemos não é exatamente o contrário: perseguição, privações e sofrimento?

1 Coríntios 4:11-13 “Até a presente hora padecemos fome, e sede; estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa,  e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos; somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e o suportamos; somos difamados, e exortamos; até o presente somos considerados como o refugo do mundo, e como a escória de tudo.”

2 Coríntios 11:23-27 “são ministros de Cristo? falo como fora de mim, eu ainda mais; em trabalhos muito mais; em prisões muito mais; em açoites sem medida; em perigo de morte muitas vezes; dos judeus cinco vezes recebi quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha raça, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejuns muitas vezes, em frio e nudez.”

Interessante, não?

Será que vocês é que estão certos em enriquecer com o evangelho, tendo uma vida de prosperidade material, num “mar de rosas”, enquanto eles só sofreram e padeceram pelo mesmo evangelho?

Talvez, quem sabe, havia algo de errado nas vidas deles, não é?

Ou, talvez, não estivessem fazendo a coisa do modo certo, como vocês!

E o dízimo, tão importante e tão enfatizado por vocês!

Qual seria a razão de não haver qualquer ênfase ou mesmo menção a ele naquilo que ficou registrado da história da igreja no novo testamento?

Por que vocês irremediavelmente citam Malaquias 3 para “incentivar” o povo a dá-lo, sendo que “não estamos mais debaixo da lei“?

Vale a lei, ou vale a graça?

Não é antiético vocês advogarem em causa própria, defendendo isto unicamente para levar vantagens financeiras, ainda mais apelando e sendo contraditórios dessa forma?

Vou “chover no molhado”, pois sei que você conhece muito bem isso: dízimo claramente pertence à lei judaica (velho testamento), e era para os judeus levitas, que, devido à estrutura social do povo, não tinham quinhão de terra e, portanto, não tinham forma de sustento.

Ninguém no novo testamento viveu dessa forma, mas todos trabalhavam para levantar seu próprio sustento e não ser pesado ao povo, enquanto se ocupavam, também, da disseminação do evangelho.

Essa prática (a do dízimo) simplesmente foi copiada do velho testamento e em algum momento da história introduzida na igreja, por comodismo.

Nunca houve no novo testamento essa preocupação em acumular bens materiais e desfrutar deles, como tão enfatizado pela vossa enganosa, perniciosa, vergonhosa e materialista “teologia da prosperidade”.

Usando textos isolados e não o contexto, podemos fazer a bíblia apoiar praticamente qualquer coisa que quisermos, haja vista a diversidade de igrejas existentes, com as mais diferentes doutrinas, e todas “bíblicas”.

Com certeza, tristemente, meus argumentos em nada mudarão sua postura, com já bem disse Sir. Francis Bacon, cujo pensamento endosso: “Uma vez adotada uma opinião, o entendimento humano faz com que todas as demais coisas apoiem e concordem com ela. E ainda que exista um maior número de exemplos contrários e que sejam de maior peso, são esquecidos ou desprezados, ou também, estabelecendo alguma distinção, são eliminados e negados com o propósito de que, por esta grande e perniciosa predeterminação, a autoridade de suas antigas conclusões possa permanecer inviolada.”

Concluindo, realmente, podemos ver que a “teologia da prosperidade” (bem moderninha, se considerarmos o tempo de vida do cristianismo) funciona!

Para os líderes, com certeza!!!

Mas para o povo, em geral, percebe-se, na prática, que nem tanto!!!

Marco Feliciano:

“Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato.”

(Não há fato nenhum, nisso. A origem da raça negra como resultado de maldição, quer de Noé sobre Canaã, quer de deus sobre Caim, como crido pelos cristãos, não passa de pura especulação baseada em sentimento racista, nada havendo de concreto nos escritos bíblicos sobre a questão.)

“O caso do continente africano é sui generis: quase todas as seitas satânicas, de vodu, são oriundas de lá. Essas doenças, como  a AIDS, são todas provenientes da África”.

(novamente a vinculação da raça negra com maldição. Vide comentário anterior.)

“A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, a rejeição.”

(De fato: “Ódio, crime e rejeição” por parte dos homofóbicos, como ele!)

“A Aids é o câncer gay.”

(1 – A Aids não é transmitida somente por relações homossexuais;

2 – Não teve origem em pessoas gays, mas em macacos;

3 – Até onde se sabe, o contágio em humanos não se deu por contato sexual (bestialidade);

4 – Não atinge somente indivíduos daquele grupo.)

“É a última vez que eu falo. Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir o milagre para Deus e Deus não vai dar. E vai falar que Deus é ruim.”

(novamente o infeliz conceito de barganha com deus e a materialista e característica primazia do dinheiro.)

“O acidente com Mamonas Assassinas foi um castigo justo!”

“Ao invés de virar pra um lado, o manche tocou pra outro. Um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças.”

(Mentalidade típica de pessoas bitoladas, à semelhança de nossos primitivos antepassados, onde acontecimentos “sobrenaturais”, tragédias e fatalidades eram sempre associados à “ira e punição dos deuses”.)

“A minha bíblia diz que Deus não recebe uma afronta e fica impune. Passsou um tempo dessas declarações, alguém chama (John, John) pelo nome, ele vira e é alvejado com três tiros no peito. Eu queria está lá no dia em que descobriram o corpo, eu ia tirar o pano de cima e ia dizer: me perdoe, mas esse primeiro tiro foi em nome do Pai, esse é em nome do Filho e esse é em nome do Espírito Santo. Ninguém afronta Deus e sobrevive para debochar”.

(Ele insiste na mesma mentalidade do caso dos Mamonas Assassinas: ira e punição divina! Essa ira demorou apenas 15 anos para chegar! Ou seja, aqui divagando, se a punição viajasse à velocidade da luz, a maior velocidade conhecida na natureza, poderíamos então deduzir que deus deve estar há uns 15 anos-luz de distância da Terra! Quantos ateus afrontaram e afrontam a deus diariamente (George Carlin, James Randi, Richard Dawkins, Bill Maher, Sam Harris, etc) e ficaram ou ficam impunes? Por outro lado, quantos cristãos, inclusive pastores, morrem diariamente assassinados, por doenças ou em tragédias, à semelhança de John Lennon e dos Mamonas? Estatísticamente, nada se prova! Seria melhor você fechar essa sua boca grande e parar de falar tantas besteiras!)

“Quando você estimula uma mulher a ter os mesmos direitos do homem, ela querendo trabalhar, a sua parcela como mãe começa a ficar anulada, e, para que ela não seja mãe, só há uma maneira que se conhece: ou ela não se casa, ou mantém um casamento, um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo, e que vão gozar dos prazeres de uma união e não vão ter filhos. Eu vejo de uma maneira sutil atingir a família; quando você estimula as pessoas a liberarem os seus instintos e conviverem com pessoas do mesmo sexo, você destrói a família, cria-se uma sociedade onde só tem homossexuais, você vê que essa sociedade tende a desaparecer porque ela não gera filhos.”

(Primeiramente, ele manifesta um típico e bíblico pensamento misógino e preconceituoso em relação às mulheres. Por fim, insinua a possibilidade de “todos resolverem se tornar gays” (para ele, “ser gay é uma opção”), casando-se com pessoas do mesmo sexo, o que culminará com o fim da humanidade em virtude do fim da procriação! Uma lógica completamente idiota, mas que talvez desse um bom enredo de filme!)

José (do Egito) “foi o maior Ministro da Fazenda que o mundo teve.” (para justificar o envolvimento de cristãos na política).

(Podemos ver, infelizmente, pela prática, que esses cristãos modernos, em geral, não conseguem enxergar o ponto de corte claramente existente entre o Velho e o Novo Testamentos, como os próprios nomes evidenciam: o velho pacto, com Israel, “a Lei”, contra o novo pacto, com a igreja gentílica, “a Graça”. De fato, só dessa forma, utilizando textos caducos do VT, conseguem encontrar apoio para os seus pensamentos, crenças e doutrinas (dízimo, prosperidade, riqueza, etc). Sobre a questão do envolvimento de cristãos na política, ver o post “O cristão e a Política”)

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MINHA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA RESUMIDA

Cerca de 30 anos de minha vida foram futilmente desperdiçados em favor da religião, mais especificamente, do cristianismo!

É incrível como a gente, enquanto está lá dentro, envolvido com tudo, engajado, não consegue perceber a lavagem cerebral, o apelo ao emocionalismo, o controle e a manipulação! É tudo muito sutil, imperceptível!

E, só depois de sair e olhar de fora para dentro, é que nos apercebemos disso.

Enquanto se está lá dentro, questionar, duvidar, contestar, procurar evidências e usar a razão e o bom senso, são atitudes vistas com maus olhos pelos demais, principalmente pelos da liderança. Os que assim procedem são vistos como “crentes fracos”, “de pouca fé”, crentes “São Tomé”, problemáticos, presas fáceis do “inimigo” para serem levados à apostasia e à “perdição eterna”.

Aliás, quando se está lá dentro, na verdade nem permitimos que tais coisas passem pelo pensamento, pois a pressão psicológica pelo sentimento de estarmos desagradando (ou até desafiando) a deus por nossa falta de fé (“sem fé é impossível agradar a deus” – Hebreus 11:6) e que podemos estar seguindo num caminho rumo a heresias nos bloqueia. Eis o motivo porque pouquíssimos conseguem se libertar e sair, chegando à luz da razão.

Virtuosos, ó sim, para eles, são aqueles que de nada duvidam, aceitam tudo sem qualquer prova ou evidência, sem contestar, nunca fazendo uso da razão e do bom senso, por mais ilógicas, infundadas e até absurdas que as coisas que lhes são impostas possam parecer, se submetendo a tudo aquilo pacificamente, como cordeirinhos, que crêem ser a bíblia a “palavra de deus”, que tudo lá escrito deve ser tido por literal e que nela não há falhas, nem erros, nem contradições ou incongruências.

Estes, evidentemente, são os que “agradam a deus” (entenda-se “agradam os líderes”): não causam problemas, são facilmente manipuláveis e deixam-se explorar financeiramente. Os “verdadeiros fiéis”!

Vivi assim, como um zumbi, muito atemorizado e submisso, boa parte daqueles meus 30 anos, até que comecei a pensar, averiguar e pesquisar, a me libertar dos dogmas, coisas que são mais atinentes aos “hereges” e terminantemente proibidas aos “crentes fiéis”.

Nesse espírito, pude, enfim, aos poucos, entender que ela, a bíblia, nada tem de “palavra de deus”, sendo pura expressão de pensamentos e divagações de homens falhos, limitados, supersticiosos, preconceituosos e com restritos conhecimentos científicos, comuns às pessoas de suas épocas.

Na verdade, pude ver (como qualquer um que também se dispuser a ver, verá) que ela, de capa a capa, está, sim, repleta de falhas, erros, contradições e incongruências. Que também está cheia de injustiças, imoralidades, genocídio, infanticídio, misoginia, machismo, homofobia, sadismo, racismo e malevolência, sendo, no todo, deplorável como instrumento de exemplo e ensino.

A bíblia: palavra de deus?

Ironicamente, um outro cristão (muito, muito  crente, hoje pastor), irmão de fé, sem qualquer intenção nesse sentido, foi quem me despertou para iniciar meu aprofundamento na investigação que culminou, muitos anos depois, com a minha “apostasia”.

Ainda neófito, numa visita que lhe fiz, citou ele, dois textos bíblicos problemáticos, o que, até então, eu completamente desconhecia:

1)            Na versão revista e atualizada da bíblia Ferreira de Almeida, no livro de Salmos, capítulo 8, versículo 5, lê-se: “Contudo, pouco abaixo de deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste”. Isto está em evidente contraste com o mesmo texto na versão revista e corrigida bem como comHebreus 2:7, onde, em lugar de “deus”, se lê “anjos”. Ora, “deus” e “anjos” são coisas notória e indiscutivelmente diferentes!

2)             No livro de Atos, capítulo 7, versículo 2, lê-se:

“Estêvão respondeu: Irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando ele na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã …”. Porém, o livro de Gênesis (11:31 a 12:1) relata o acontecidodepois de ele habitar em Harã!

Logicamente, aquele irmão não admitia haver erros ou contradições na bíblia, e usava, como todos, de recursos desonestos para harmonizar os textos, não aceitando, em hipótese alguma, que pudessem existir falhas na “infalível palavra de deus”.

Na explicação dele, a palavra “anjos”, de Salmos 8:5, seria uma tradução interpretativa errônea da palavra “elohim” (deus) na Septuaginta, versão grega do velho testamento hebraico, na qual se baseou a bíblia revista e corrigida, bem como o autor de Hebreus. A tradução correta seria, mesmo, “deus”.

Quanto aos outros dois textos de Atos e Gênesis, de forma desonesta, para harmonizá-los e não admitir a falha,  explicou que Abraão, na realidade, deveria ter tidoduas chamadas, uma antes e outra depois de habitar em Harã.

Investigando, aos poucos fui percebendo que tais erros e contradições são comuns, ocorrendo com frequência em toda a bíblia (verhttp://www.irineucostajr.vacau.com/religião.htm/#erros), fato que os cristãos não querem enxergar e, muito menos, admitir.

Como pode um livro com tão evidentes falhas e contradições ser aceito como emanado de uma divindade supostamente perfeita, zelosa e infalível, e, literalmente, servir como “manual” para direção de nossas vidas?

A partir disso, pude ver que a bíblia é, de fato,palavra de homens que, de forma na maioria das vezes bem intencionada, em outras, nem tanto, deixaram registrados seus conselhos e experiências, baseados em suas crenças pessoais, influenciados pelos costumes, conceitos e preconceitos comuns às suas épocas, mas que também foi desonestamente aditada e adulterada no decorrer dos tempos.

Isto posto, podemos entender perfeitamente o porquê da inferioridade das mulheres, do preconceito contra homossexuais e da aceitação do escravagismo na bíblia.

Depois disso, mesmo vendo a bíblia com outros olhos, não aceitando-a mais literalmente como “regra de fé e prática” nem como “palavra de deus”, mas apenas como um livro de conselhos e auto-ajuda, continuei cristão por muito tempo.

Assim, antes de romper completamente com o cristianismo, por um bom tempo passei a crer que, como deus certamente não poderia usar um meio tão falho e frágil para expor sua vontade aos homens, esta deveria, então, por lógica, ser revelada a nós de forma transcendental, pelo contato pessoal com ele através da oração e meditação.

A minha “apostasia” e libertação

Durante esse tempo, continuei participando ativamente e com dedicação das atividades da igreja nas áreas da música e ensino, sempre tomando cuidado em não expor minhas “convicções rebeldes”, a fim de não ser motivo de escândalo.

Mas, à medida que me aprofundava em meus estudos e investigações, aumentava a minha revolta contra o cristianismo, as igrejas e as religiões em geral, ao ver o radicalismo e a manipulação do povo pelos líderes, em especial na questão do dízimo.

Para mim, à luz dos próprios textos bíblicos relativos ao tema, tanto no velho como no novo testamentos, não havia a menor sombra de dúvidas de que essa prática teria valido unicamente para o povo judeu, por determinação da lei mosaica, e nunca para a igreja gentílica (ver http://www.irineucostajr.vacau.com/religiao.htm#dízimo).

A partir disso, considerava, eu, muito mais ético e correto, a contribuição espontânea, sem constrangimento, de valor livre, definido pela própria pessoa de acordo com a sua vontade e possibilidades, em lugar do percentual fixo, imposto, obrigatório, o que, a meu ver, não coadunava com o espírito implícito no novo testamento (2 Coríntios 9:7).

Mas, logicamente, isso não atenderia aos interesses da grande maioria dos líderes, aqueles que, embora alegam possuir fé na providência divina (Mateus 6:25-33), na verdade almejam uma segurança material ou, em vários casos, até mesmo o enriquecimento às custas do rebanho, pela exploração de sua ingenuidade (Ezequiel 34:2-6).

Esses líderes – me referindo aos de boa fé -, em algum momento de suas vidas, foram, assim como eu e todos os demais crentes, iludidos e fascinados pela falsa esperança do evangelho em sua promessa de vida eterna, de um lugar melhor, maravilhoso, de uma existência sem sofrimento e de pura felicidade, a tão sonhada Shangri-la.

E, por uma obrigação que lhes foi imposta, continuando a movimentar o circulo vicioso existente, passam a incutir essa ilusão nas mentes de outros, tudo isso numa clara fuga à nossa realidade de uma vida com sofrimentos e da certeza da morte.

Ao final, eu, após todos aqueles longos anos de estudo, investigação e meditação, com minhas convicções já bem fortalecidas, estando bem embasado nas conclusões a que cheguei com respeito à fé cristã e ao deus criado por homens apresentado na bíblia, como não poderia deixar de ser, sem qualquer arrependimento, abandonei completamente tudo aquilo, após o que senti-me grandemente aliviado e satisfeito, como quem se livra de um fardo.

Com clareza, percebo perfeitamente, agora, que a fé cristã é, na realidade, uma escravidão voluntária velada, um grande engodo, uma utopia. Que a alegria que proporciona é igualmente falsa e que não existe a tão aclamada “liberdade em cristo” (a fé aprisiona; o conhecimento liberta!), sendo, em verdade, tudo isso, puramente ilusório, fruto de nossos mais ocultos anseios e esperanças de uma vida de completa felicidade e do temor ante a morte certa.

Por oportuno, termino deixando uma sábia frase de George Bernard Shaw:

“O fato que um crente é mais feliz do que um cético não é mais pertinente do que o fato que um homem bêbado é mais feliz do que um sóbrio. A felicidade da credulidade é uma qualidade barata e perigosa.”

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MINHAS REFLEXÕES E CONCLUSÕES A QUE CHEGUEI

Qual o sentido da vida?

Por muito tempo procurei a resposta e, durante um bom tempo, até achei, como muitos, que a tinha encontrado.

Mas, depois, desiludido e abandonando as utopias, vi que não, chegando às seguintes conclusões, duras, mas realistas:

– Que não há “sentido da vida”!

Não estamos aqui por (nem para) algum propósito específico. Mas, embora frutos do acaso, somos, isso sim, senhores de nossas próprias vidas e com uma grande responsabilidade: vivê-la de forma ética, moral e justa para com nossos semelhantes durante nossa existência.

– Que, como crido, não precisamos de religião ou crença em algum deus para sermos bons!

A experiência nos mostra que caráter, empatia, moralidade, bondade, respeito, ética, filantropia, generosidade, altruísmo, condescendência, equidade, justiça, honestidade, humildade, lealdade, sinceridade, etc, podem e devem ser virtudes comuns a todos os seres humanos, tanto crentes, como descrentes. Não são nem nunca foram exclusividade ou privilégio de pessoas “tementes a deus”, como acham muitos de pensamento estribado. Na verdade, não há nenhum louvor em alguém ser bom simplesmente por obrigação ou mandamento e medo de punição.

– Que não há um “plano mestre”, nem um “Ser superior” a vigiar e reger as nossas vidas!

Somos, sim, na transição dos acontecimentos, vítimas do acaso imparcial, de forma aleatória, sem sermos favorecidos, privilegiados nem desmerecidos. Na vida, estamos por nossa conta e à mercê do acaso!

– Que não há “destino”, pois o futuro não está escrito!

Estamos construindo-o a cada dia com nossas ações, e isto é outra grande responsabilidade nossa: lutar para que nossos descendentes e seus contemporâneos das gerações futuras vivam em um mundo melhor, feito por nós, com essa mesma consciência nossa, e não esperando comodamente que tudo “caia do céu”!

– Que não há “justiça divina” e não há “escolhidos”!

Ninguém está sendo (ou será) divinamente punido nem recompensado por seus atos, quer nessa vida, quer noutra (se houver). Na prática, podemos ver que justos e injustos, crentes e descrentes, “fiéis” e “infiéis”, indiferentemente, tanto prosperam como decaem; tanto enriquecem como empobrecem, tanto têm momentos de alegrias como sofrem tristezas; tanto são “agraciados” como afligidos; tanto gozam de saúde como adoecem; tanto uns quanto outros morrem (ou perdem entes queridos) precocemente por doenças, tragédias e fatalidades (o que, aliás, nos leva a perguntar: como pode alguém ainda crer no “porque ele te livra do laço do passarinho e da peste perniciosa”, “mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita mas tu não serás atingido” e “nenhum mal te sucederá nem praga alguma chegará à tua tenda”, do Salmo 91?).

– Que o “deus” e o “diabo” bíblicos não existem!

Foram seres criados pela imaginação humana, à mais pura semelhança dos deuses e seres mitológicos dos povos antigos (Zeus, Marte, Thor, Odin, Netuno, Hades, etc, com qualidades, sentimentos e reações puramente humanos), que o fizeram movidos pela superstição e por não compreenderem (diante de sua ciência e conhecimentos limitados da época) os acontecimentos “sobrenaturais”. Mas, os espertos e aproveitadores, de hoje e de sempre, usam-nos para ter controle e domínio sobre nós, pelo nosso temor, respeito e submissão diante de coisas que nos são impostas e forjadas como como “sagradas”. Os deuses, profetas e messias das religiões do passado são a mitologia de hoje, assim como os atuais serão a do futuro.

– Que não existem “céu” nem “inferno”!

Conceitos inexistentes no Velho Testamento, que foram herdados de mitologias de outras culturas, utopicamente idealizados como uma forma de recompensa e de punição em uma suposta existência futura, certamente motivado pela revolta em se ver, “nesta vida”, pessoas más prosperarem impunes, enquanto pessoas boas e inocentes, imerecidamente, sofrem com adversidades, sem que se lhes faça justiça.

– Que o “pecado” trata-se de outro mito!

Também criado como uma forma de exercer controle, repressão e coibir abusos, mas que pode trazer sérias consequências para as pessoas, principalmente durante a sua formação, pela forte pressão psicológica que exerce em suas mentes pelo sentimento de culpa.

– Que não haverá “segunda vinda”!

Palavras atribuídas no Novo Testamento a Jesus, como:

“não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam”;

“alguns dos que aqui estão não provarão a morte até que vejam vir o filho do homem”;

“não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que venha o Filho do homem”, e

“se eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?”,

deixam perfeita e indiscutivelmente claro que aquele suposto acontecimento deveria ocorrer naquela época e nos dias daquela geração, o que, de fato, não ocorreu e, certamente, por dedução, nunca ocorrerá!

– Que não há “povo escolhido”!

Este conceito (assim como o seu deus, Jeová) foi produzido pelos próprios líderes do povo que acabou se tornando o país de Israel, que assim se autodenominou “povo escolhido” para incutir o nacionalismo e o patriotismo em seus cidadãos e, assim, elevar seus ânimos abatidos diante de uma nação arrasada e desterrada. Esse conceito envolve “favoritismo”. Se um “deus” favorece uns em detrimento de outros, como no caso, não pode ser considerado imparcial e, segue-se, muito menos, justo!

– Que “orações” são inúteis!

Se, como crido, “deus” não muda e seus desígnios sempre são cumpridos, de que adianta orar ou pedir por algo? Não deveríamos humildemente aceitar o “plano de deus”, nos conformando e aceitando tudo da forma como acontece (como, aliás, dito na própria oração sacerdotal de Jesus: “seja feita a tua vontade assim na terra como no céu”), ao invés de tentar fazer “deus” mudar seus propósitos, como se fora possível? Na verdade, orar nada mais é do que falar interiormente consigo mesmo, uma introspecção e reflexão, o que poderá fazer alguma diferença para a própria pessoa (auto-ajuda), mas, nunca, para com outros! Mas, ao contrário, “ações” resolvem!

– Que o “evangelismo” e a “salvação pela crença na pregação” não fazem sentido!

Como poderia ser justo um “deus” que condena ao inferno pessoas que não tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho? Para fazerem com que “deus” se tornasse justo, forjou-se a tese (sem qualquer suporte bíblico) que se uma pessoa morrer em sua ignorância, sem nunca ter ouvido sobre cristo e sua salvação e, portanto, sem opção de exercer crença ou descrença, ou nos casos de morte de criança em idade tenra ou de pessoa com limitações mentais, não estariam sujeitas à pena do inferno mas, mesmo assim, seriam salvas. Dessa forma, estaríamos salvando mais almas ficando inertes do que tentando evangelizá-las!

Esquimó: “Se eu não soubesse nada sobre Deus e pecado, eu iria para o inferno?

Missionário: “Não, não se você não soubesse.

Esquimó: “Então por que você me disse? ” (Annie Dilard)

– Que não existe o “pecado original” de Adão!

Dogma sem qualquer suporte no Velho Testamento, forjado posteriormente no Novo Testamento para dar sentido à morte de Jesus. Conforme escrito nos livros de Jeremias e Êxodo: “cada um morrerá pela sua própria iniquidade” e “o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho”. Ou seja, a culpa pelos pecados e suas penas seriam pessoais e instransferíveis!  “Pecado” não seria hereditário!

– Que a bíblia não é a “palavra de deus”, não foi “divinamente inspirada” e, muito menos, é “infalível”!

Tratam-se de mais “dogmas”, entre tantos criados pela igreja, facilmente derrubáveis! É uma colcha de retalhos cujos autores, em sua maioria, são desconhecidos ou incertos, que ali expressaram suas crenças pessoais, imbuídas de conceitos, preconceitos, superstições e escassos conhecimentos científicos, comuns às pessoas de suas épocas. Os livros que a compõe foram escolhidos entre muitos, de forma aleatória, e, comprovadamente, aditados, editados e mutilados de forma desonesta no decorrer dos séculos, tudo para favorecimento e atender a interesses particulares. Está, visivelmente, de capa a capa, recheada de erros, contradições e incongruências, os quais os “harmonistas”, sem quererem admití-los, tentam contornar a qualquer custo para sustentar seus dogmas, com manobras e explicações mirabolantes e desonestas (Ver posts: https://irineucostajunior.wordpress.com/2013/11/11/erros-da-infalivel-palavra-de-deus/ e https://irineucostajunior.wordpress.com/2014/01/03/a-biblia-palavra-de-deus/).

– Que a felicidade que se diz ter pela religião é utópica e puramente ilusória!

É um ópio, uma fuga à realidade, um “país das maravilhas”, uma “Changri-lá” que criamos para nós mesmos e lá confortavelmente nos escondemos. Existe em todas as religiões, cristãs ou não, e mesmo fora delas. A insanidade também produz felicidade! “O fato que um crente é mais feliz do que um cético não é mais pertinente do que o fato que um homem bêbado é mais feliz do que um sóbrio. A felicidade da credulidade é uma qualidade barata e perigosa.” (George Bernard Shaw)

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ALGUNS ERROS E CONTRADIÇÕES DA “INFALÍVEL PALAVRA DE DEUS”

Velho Testamento:

– 1.700 ou 7.000 cavaleiros?   2 Samuel 8:4  x  1 Crônicas 18:4

– 700 ou 7.000?    2 Samuel 10:18  x  1 Crônicas 19:18

– 800.000 + 500.000 ou 1.100.000 + 470.000?   2 Samuel 24:9  x  1 Crônicas 21:5

– Quem incitou? Deus ou Satanás?  2 Samuel 24:1  x  1 Crônicas 21: 1

– 3 ou 7 anos de fome?  2 Samuel 24:13  x  1 Crônicas 21:12

– 5 ou 7 homens?  2 Reis 25:19  x  Jeremias 52: 25

– Quantos filhos de Zatu?  Esdras 2:8  x  Neemias 7:13

– Quantos filhos de Bebai?  Esdras 2:11  x  Neemias 7:16

– Quantos filhos de Azgade?  Esdras 2:12  x  Neemias 7:17

– Quantos filhos de Adonicão?  Esdras 2:13  x  Neemias 7:18

– Quantos filhos de Bigvai?  Esdras 2:14  x  Neemias 7:19

– Quantos filhos de Adim?  Esdras 2:15  x  Neemias 7:20

– Quantos filhos de Bezai?  Esdras 2:17  x  Neemias 7:23

– Quantos filhos de Hasum?  Esdras 2:19  x  Neemias 7:22

– Quantos filhos de Senaá?  Esdras 2:35  x  Neemias 7:38

– Quantos filhos de Asafe?  Esdras 2:41  x  Neemias 7:44

– 40.000 ou 4.000 manjedouras?  1 Reis 4:26  x  2 Crônicas 9:25

– 250 ou 550 chefes de oficiais?  2 Crônicas 8:10  x  1 Reis 9:23

– Jessé tinha 7 ou 8 filhos?  1 Samuel 16:10,11  x  1 Crônicas 2:15

– Saul se matou ou foi morto?   1 Samuel 31:4,5  x  2 Samuel 1:10

– 2.000 ou mais de 3.000 batos?  1 Reis 7:26 x 2 Crônicas 4:5

– 2 ou 7 pares de animais?  Gênesis 6:19,20  x  Gênesis 7:2,3

– Quando deus criou o homem, havia plantas ou não?  Gênesis 1:11-13  x  Gênesis 2:4-9

– Deus faz o mal?  Isaías 45:7  e  Amós 3:6

– Os filhos levam a maldade do pai ou não?  Êxodo 20:5  x  Ezequiel 18:18-20

– Por quanto Davi comprou?  1 Crônicas 21:24,25  x  2 Samuel 24:24

– Cada povo já tinha sua própria língua ou não?  Gênesis 10:15  x  Gênesis 11:1,6-9

– Os filhos sofrem pelo pécado dos pais ou não?  Êxodo 34:7  x  Ezequiel 18:20

– Quando foi que Nebuzaradã, chefe da guarda da babilônia, foi a Jerusalém?  II Reis 25:8 x Jeremias 52:12

– Quantos anos tinha Joaquim quando começou a reinar? 8 ou 18? 2 Reis 24:8 x 2 Crônicas 36:9

Novo Testamento:

– Qual é a genealogia correta? (só se levava em conta a descendência masculina, portanto não a de Maria):  Mateus 1  x  Lucas 3

– Se Jesus dá testemunho de si mesmo, o seu testemunho é verdadeiro ou não? João 5:31 x João 8:14

– Que doze, se haviam sobrado só onze apóstolos?   1 Coríntios 15:5  x  Mateus 28:16

– 6 dias ou 8 dias depois?  Mateus 17:1  x  Lucas 9:28

– Quem pediu foi a mãe ou foram os filhos?  Mateus 20:20,21  x  Marcos 10:35-37

– Um cegou ou dois cegos?  Mateus 20:29,30  x  Marcos 10:46,47

– A figueira secou imediatamente ou no dia seguinte?  Mateus 21:19  x  Marcos 11:14,20

– Trouxeram a jumenta e o jumentinho ou só este último?  Mateus 21:7  x  Marcos 11:7

– O Zacarias que foi morto era filho de Jeoiada. O filho de Berequias era outro Zacarias:  (uma pequena “infalível” confusão): Mateus 23:35  x  2 Crônicas 24:20  x  Zacarias 1:1

– Com sandálias (alparcas) ou sem?  Mateus 10:10  x  Marcos 6:9

– Jeremias ou Malaquias? (outra pequena infalível confusão)  Mateus 27:9  x Zacarias 11:12-13

– Ele próprio (Jesus) carregou a cruz ou foi Simão?  João 19:17  x  Mateus 27:32  x  Lucas 23:26

– Quantas vezes o galo cantaria?  Mateus 26:34  x  Marcos 14:30

– Na casa de Lázaro ou de Simão, o leproso?  Derramou na cabeça ou nos pés ? João 12:1-8  x  Mateus 26:6-13

– Foi pregado a toda criatura?  E os índios das Américas?  Colossenses 1:23

– Antes ou depois de habitar em Harã?  Atos 7:2,3  x  Gênesis 8:31,12:1

– 70 ou 75 almas?  Atos 7:14  x  Gênesis 46:27  x  Êxodo 1:5  x  Deuteronômio 10:22

– Qual foi o verdadeiro título na cruz?  Mateus 27:37 x Marcos 15:26 x Lucas 23:38 x João 19:19

– Salvação pelas obras ou pela fé?  Romanos 3:28  x  Tiago 2:24

– Salvação pela graça ou pelas obras? Efésios 2:8,9 x  João 5:29 / Mateus 13:49,50 / Mateus 16:27 / Lucas 16:25 / Apocalipse 20:12

– Abraão foi justificado pela fé ou por obras?  Romanos 4:1-3  x  Tiago 2:21

– Morreram 23.000 ou 24.000?  1 Coríntios 10:8  x  Números 25:9

– 1 anjo ou 2 anjos? Sobre a pedra ou dentro do sepulcro?  Mateus 28:2  x  Marcos 16:5  x  Lucas 24:4  x  João 20:12

– Era a hora terceira ou a sexta?  Marcos 15:25  x  João 19:14-16

– Os dois salteadores crucificados zombavam ou só um deles?  Mateus 27:44  x  Lucas 23:39

– Jesus subiu ao céu em Betânia ou em Jerusalém?  Lucas 24:50-51  x  Atos 1:12

– Onde se encontra a profecia citada em Mateus 2:23:  “Ele será chamado nazareno” ?

– Ninguém subiu ao céu?  João 3: 3  x   2 Reis 2:11

– O véu do templo se rasgou antes ou depois da morte de Jesus?  Marcos 15:37,38  x  Lucas 23:45,46

– Os soldados de Pilatos ou de Herodes vestiram Jesus de um manto púrpura/escarlate?  Lucas 23:11  x  Mateus 27:27,28

– Os discípulos sabiam ou não sabaim da ressurreição?  Mateus 16:21, Lucas 09:22, Lucas 24:06-08, Mateus 27:63,64, João 20:08,09, Lucas 24:11, Lucas 24:11.

– Judas morreu enforcado, ou não?  Mateus 27:5 x Atos 1:18

– Jesus foi traído com um beijo de Judas, ou não? Mateus 26:47-49 x João 18:03-09

– De sexta-feira à tarde para a madrugada de domingo: três dias e três noites? Mateus 12:40, Marcos 16:1-2, Marcos 16:9, Mateus 28:1

– Gadara ou Gerasa? Um endemoninhado ou dois? Marcos 5:1  x  Mateus 8:28

– Como a manada de porcos se precipitou no mar se nenhuma das duas cidades eram costeiras?  Mateus 8:32 e Marcos 5:13

– Os discípulos deveriam ser batizados “em nome do pai, do filho e do espírito santo” ou “em nome de Jesus Cristo” Mateus 28:19 x Atos 2:38, Atos 10:48

A contradição da Idade de Abraão:

– “E viveu Terá setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor, e a Harã.”  Gênesis 11:26

– “E foram os dias de Terá duzentos e cinco anos, e morreu Terá em Harã.”  Gênesis 11:32

– “Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã.”  Gênesis 12:04

– “Então saiu da terra dos caldeus, e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora.”  Atos 7:04

Ora, se Terá morreu com  205 anos  e Abraão nasceu quando ele tinha  70 anos , então Abraão já tinha  135 anos  quando seu pai morreu e partiu de Harã, o que contradiz Gênesis 12:04 (75 anos).

Bíblia x Ciência:

– A terra seria plana e redonda (como uma pizza), cercada por abismos e coberta por um céu sólido (firmamento) em forma de abóbada. (Jó 22:14, Jó 28:24, Jó 38:13, Jó 38:18, Salmos 2:8, Salmos 67:7, Salmos 71:20, Provérbios 17:24, Provérbios 30:4, Isaías 40:22, Isaías 42:10; Jeremias 10:13, Jeremias 12:12, Jeremias 25:31, Amós 9:6)

– Em outras passagens, a forma seria quadrada (ou retangular), pois fazem referência aos “quatro cantos da terra”. (Isaías 11:12, Jeremias 25:23, Ezequiel 17:2)

– O firmamento (nome com origem na palavra firme) seria algo sólido, onde ficariam pendurados o sol, a lua e as estrelas. (Gênesis 1:14-17, Jó 37:18)

– Existiria água acima desta abóbada, provavelmente por causa da cor azul do céu e também para explicar as chuvas. (Gênesis 1:6 e 7, Gênesis 7:11)

– A lua, assim como o sol, teria luz própria e seria o “luzeiro” (ou “luminar”) que governaria a noite. (Gênesis 1:16)

– Não é a terra que se move (movimento de rotação) mas sim os astros em volta dela (geocentrismo). (Josué 10:13, Eclesiastes  1:5, Isaías 38:8)

– Em vários lugares mencionam-se os fundamentos (alicerce, fundação) da terra, que seria plana, chata, imóvel, apoiada sobre pilares e estaria “firme e inabalável”. (Jó 9:6, Jó 38:4, Salmos 78:69, Salmos 82:5, Salmos 102:25, Salmos 104:5, Salmos 119:90, Provérbios 8:29, Isaías 24:18, Isaías 51:13, Jeremias 31:37, Miquéias 6:2, Zacarias 12:1)

– Podemos ver outros equívocos científicos em Levítico 11:  A lebre rumina!  O morcego é uma ave!   Existem insetos alados com 4 pés!

“A terra é achatada, e qualquer um que negue essa afirmação é um ateu e merece ser punido.” – Sheik Abdel-Aziz Ibn Baaz, autoridade religiosa suprema, Édito Muçulmano religioso, 1993, Arábia Saudita.

“Afirmar que a terra gira em torno do sol é tão errôneo quanto afirmar que Jesus não nasceu de uma virgem.” – Cardeal Bellarmino (1615, durante o julgamento de Galileu)

“Porque experimenta claramente que a Terra está parada e que o olho não se engana quando julga que o Sol se move, como também não se engana quando julga que a Lua e as estrelas se movem” – Cardeal Bellarmino.

“Quando Silas Malafaia disse que “Nenhuma verdade científica da bíblia foi até hoje derrubada”, muitas pessoas o aplaudiram e concordaram com ele, mesmo sem saber quais são as “verdades científicas” da bíblia. Estas pessoas, mesmo sem saber, concordaram que o morcego é uma ave, que o coelho e a lebre são ruminantes, que Sol gira em órbita da Terra, que o firmamento é sólido, que as árvores já existiam antes do Sol, que a espécie humana tem a mesma idade da Terra e que existem serpentes e jumentas falantes. Verdadeiras estas “verdades” não é?”http://thegodlessman.blogspot.com.br/2013/02/o-pastor-e-suas-ovelhas.html

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