O que vale é a intenção?

Dizem que “o que vale é a intenção” e que “os fins justificam os meios”! Será?

Porquê será que temos uma memória tão curta?

A igreja cristã, com todo o poder que tinha e “em nome da fé”, desumanamente – duvido que haja quem o conteste – cometeu inúmeras atrocidades e barbaridades no passado, perseguindo, coagindo, intimidando, oprimindo, subjugando, julgando e matando.

Giordano Bruno, Galileu Galilei, Lucilio Vanini, Etienne Dolet, Miguel Servet, Hipatia de Alexandria, etc.

Pessoas comuns, não bandidos, mas que simplesmente discordavam de alguns de seus pontos ou que tinham qualquer visão diferente, uns taxados de “hereges”, outros de bruxos.

Incoerentemente, diziam abraçar um evangelho que mandava dar a outra face e amar aos inimigos, do Sermão do Monte, com suas bem-aventuranças, da Parábola do Bom Samaritano, mas, claramente, apenas em teoria.

Séculos depois, envergonhada, reconhece seus erros e pede desculpas ao mundo, como se simplesmente isso a justificasse, atenuando a culpa e fosse o bastante para o esquecimento.

Como se diz: “errar é humano”!

Mas a igreja não seria de caráter divino, e não humano? O próprio Deus que, ao menos segundo crido, a instituiu, a dirige e a governa, não poderia, ou melhor, não teria a obrigação de ter feito algo?

Quem deveriam ser considerados os verdadeiros “satânicos” na história? Ela e seus governantes, ou os inocentes por ela torturados e mortos?

E, se estava errada – e põe errada nisso! – no passado, porquê não o estaria igualmente agora… e sempre?

Onde encontramos os melhores exemplos de homofobia, machismo, misoginia, preconceito e discriminação, senão nos meios religiosos, em geral?

E os escândalos e ocultações referentes aos sacerdotes, então? Pedofilia, fornicação, abusos sexuais, materialismo, mercenarismo da fé, egocentrismo e enriquecimento. Pura hipocrisia!

E os evidentes exemplos de lavagens cerebrais feitas por insanos fanáticos, os quais acabaram em lamentáveis tragédias, tais como: Jim Jones, Charles Manson, Marshall Applewhite, Joseph Kibwetere, David Koresh, Shoko Asahara, Ramon Gustavo Castillo Gaete, Datu Mangayanon, Park Soon-Já, Ca Van Liem, Jong-min, a Ordem do Templo Solar, etc.

E o que dizer de grupos religiosos terroristas e extremistas radicais como o Estado Islâmico, Hamas, Al-Qaeda, Boko Haram, Talibã, Jihadistas, Al Shabab, IRA (Irish Republican Army), Exército de Resistência do Senhor, Ku Klux Klan, Cavaleiros Templários, todos igualmente frutos da religião.

A religião, por simplicidade e ingenuidade de alguns, e astúcia e má-fé de muitos, convenceu-nos a, passiva, incontestável e incondicionalmente, acreditarmos, aceitarmos, respeitarmos e reverenciarmos, sem a existência e sem a exigência de qualquer mínima prova ou evidência concreta, e sem o uso da racionalidade, mas baseados em nossos sabidamente enganosos sentidos e emoções, mentiras sem fim, parte escrita em seus livros sagrados por pessoas tão falhas como eu e você, em épocas de atraso, obscuridade, superstição e ignorância científica, e parte transmitida pela tradição oral, formando os seus “dogmas”.

Estes “dogmas”, todos meramente baseados em subjetividades, são impostos e não podem ser questionados, duvidados, criticados, desprezados ou desobedecidos, sob pena da caracterização de “heresia”, expondo o “herege”, dependendo da época, a penas variáveis de punição, algumas delas capitais.

Ela conseguiu convencer-nos – novamente sem qualquer evidência concreta – da existência de uma “ dimensão espiritual”, invisível e impalpável, onde seres incorpóreos, imortais e poderosos habitariam, juntamente com as “almas” daqueles que já morreram, sendo que alguns desses seres, reclamariam para si reverência e adoração, podendo se relacionar conosco e interferir nas nossas vidas, ajudando-nos, guiando-nos e protegendo-nos, mas que tudo isso não teria qualquer ligação com as similares mitologias de vários outros povos.

Ela conseguiu convencer-nos de que a Bíblia seria a “perfeita e infalível palavra de Deus”, “regra de fé e prática”, a “lei de Deus aos homens”, que deve ser cega e deliberadamente seguida e obedecida, sem questionamentos, mesmo estando ela, repleta – para quem sinceramente se propõe a enxergá-los – de descarados erros, contradições, incoerências e inconsistências, principalmente científicas (geocentrismo, mundo plano e estático, coberto por uma abóboda sólida onde estariam pendurados o Sol, a Lua e as estrelas – o “firmamento” -, existência de água acima dessa abóboda, lebre que rumina, morcego que é ave, insetos alados com 4 pés, etc, etc, etc.), verdadeiramente revelando a sua imperfeição e o seu caráter falho e meramente humano.

Ela conseguiu convencer-nos de que as estórias de homem feito do barro, de mulher de sua costela, de cobras que andavam e falavam, de árvores cujos frutos dariam conhecimento do bem e do mal e vida eterna, de um paraíso perdido, de um Universo criado em 6 dias e com apenas cerca de 6.000 anos – estando errada a ciência quando fala em bilhões de anos, apesar do testemunho dos fósseis -, da Torre de Babel, de um dilúvio universal, que tudo isso seria real e literal, e não uma mera ficção em linguagem poética, com enxertos de mitologias de outros povos.

Ela conseguiu convencer-nos que não nascemos puros, mas que todos herdamos uma “mancha” em nossa “alma”, chamada “pecado”, oriunda da desobediência de Adão, nosso suposto pai, que passaria aos nossos filhos, condenando-nos à morte e ao sofrimento eterno no “inferno”, mas cujo efeito seria anulado pela simples aceitação e crença no evangelho, quando o próprio Deus, incoerentemente, em seu próprio livro sagrado, a bíblia, afirma que “O indivíduo que pecar, este morrerá! O filho não levará a culpa do pai, tampouco o pai será culpado pelo pecado do filho” (Ezequiel 18:20 – Idem: Deuteronômio 24:16 e Jeremias 31:29,30).

Ela conseguiu convencer-nos da existência de um “céu” – lugar de gozo e de recompensa – e de um “inferno” – lugar de punição e sofrimento -, para onde iriam as nossas “almas” – que seriam eternas – após a nossa morte, ora vinculando a nossa destinação a um desses dois lugares às nossas obras e feitos (Mateus 16:27; 25:31-46; Tiago 2:24) – o que, se tudo isso fosse realmente verdade, seria muito mais lógico e justo -, ora simplesmente à nossa “fé” e crença no “evangelho” (teologia paulina – Efésios 2:8,9), numa nova demonstração de incoerência.

Ela conseguiu convencer-nos que a nossa “essência” enquanto pessoas – nossa consciência, nossa personalidade, nosso caráter, nossas memórias, nossas emoções e nosso conhecimento – não é, como comprovadamente afirma a ciência, apenas o produto de complexas reações eletroquímicas que ocorrem em nossos cérebros e que nos torna o que somos, as quais estariam sujeitas a serem, por motivos diversos, afetadas, podendo transformar-nos em outra pessoa, como nos casos de insanidade adquirida, mal de Alzheimer, influência de drogas, etc, mas que estaria relacionada, vinculada e intimamente ligada a uma “alma espiritual”, invisível, impalpável e eterna, presa ao nosso corpo até a morte física, mas que a ela sobreviverá, de forma a continuarmos incorporeamente a nossa existência.

Ela conseguiu convencer-nos de que o deus judaico do Antigo Testamento, claramente cruel, vingativo, ciumento, injusto, machista, misógino, escravagista, homofóbico, genocida e infanticida, é o mesmo “Deus de amor”, evidentemente antagônico, retratado no Novo Testamento, mesmo estando escrito naquele primeiro tratado que ele, Deus, não muda nem se arrepende:

“Pois eu, o Senhor, não mudo.” (Malaquias 3:6), e

“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa.” (Números 23:19).

Ela conseguiu convencer-nos de que Jesus estaria vivo nos céus, aguardando o dia – que nem ele mesmo sabe – em que irá voltar, triunfante, para finalmente resgatar e redimir a sua igreja e transformar os seus “santos”, quando, então, pessoas desaparecerão num suposto “arrebatamento”, iniciando o tão temido juízo de Deus sobre a humanidade com a “salvação” dos “escolhidos” e a condenação eterna dos “ímpios”, mesmo a Bíblia claramente colocando esses acontecimentos no decorrer daquela época e daquela geração:

“não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam” (Mateus 24:34);

“alguns dos que aqui estão não provarão a morte até que vejam vir o filho do homem (Mateus 16:28);

“não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que venha o Filho do homem (Mateus 10:23), e

“se eu quiser que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?” (João 21:,22,23).

De fato, a religião, cegando pessoas, enganou-nos, iludiu-nos, dividiu-nos, causou suicídios, impiedosamente matou e tem matado, mergulhou-nos outrora na “Idade das Trevas”, impediu e atrasou o avanço e o desenvolvimento científico, bitolou-nos, fanatizou-nos, transformou o que deveria ser amor e respeito por nossos semelhantes, em ódio e desprezo, e nós, passivos, não nos demos conta!

Não nos revoltamos, não demos um basta, não buscamos por nós mesmos a verdade, mas aceitamos a “verdade” deles, e nos conformamos. Deixando-nos iludir e querendo comodamente viver num “reino de fantasias”, toleramos e continuamos apoiando, tornando-nos, assim, verdadeiros cúmplices dela, com suas mentiras e seus males!

Parece, mesmo, que gostamos de ser ludibriados, permanecendo fiéis, defendendo e sustentando, dessa forma, honrando a nossa assumida condição de “ovelhas”!

O passado esquecido! Vista grossa para o presente! A cegueira imperando! E os lobos fazendo a festa!

Infelizmente, essa tem sido, até agora, a nossa realidade!

Apenas imagine como poderia o nosso mundo ser – e, de fato, ter sido – muito diferente e melhor!

“Religião faz três coisas muito habilmente: divide pessoas, ilude pessoas, controla pessoas.” (Marie Alice McKinney).

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Sobre Irineu Costa Junior

Ex-fanático religioso (evangélico por cerca de 30 anos), hoje ateu militante contra as religiões, igrejas, líderes religiosos e superstições em geral, a favor e defensor da ciência, da lógica, da razão e do bom senso.
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